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O SEGREDO DE JUSTIÇA

Qualquer tipo de censura
Deve ser abominado
E o segredo de justiça
É um dos tipos velado
Porque proíbe a notícia
Dos casos até de polícia
De modo despudorado

O segredo de justiça
Tem nome e endereço
É privilégio dos ricos
De pedigree desde berço
A ele só tem acesso
O mais forte no processo
Que pode pagar o preço

O pobre não tem segredo
E justiça, nem pensar
Porque segredo de pobre
Nem pobre quer divulgar
E numa questão com rico
É cem por cento o seu risco
De até as custas pagar

Entendo que um litígio
De cunho familiar
Só a família interessa
Nessa polêmica entrar
Mas se essa ação for pública
O cidadão da República
Tem direito se informar

Porém, na fase do inquérito
Durante a investigação
É importante o sigilo
Até sua conclusão
Pois não há contraditório
Daí qualquer falatório
Prejudica a apuração

Mas se alguém quer sigilo
Dou até uma sugestão
Procure andar direito
Use total discrição
No Google da internet
O seu passado delete
Lá não tem segredo não

Fonte:www.luisnassif.com.br



Escrito por jbsouto às 17h47
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UMA OLIMPIADA... DE JOGOS EDUCACIONAIS ON LINE

numa palestra recente para um importante sistema nacional de ensino, meu primeiro slide era uma pergunta quase óbvia nos nossos dias:

sera que os alunos fugiram

o segundo slide tinha a resposta, em uma única palavra, ocupando todo o gigantesco espaço de projeção no auditório:

sim vermelho sobre fundo preto

este é o estado da arte: em todo lugar, em todas as escolas, públicas e privadas, se os alunos tiverem, em casa ou na rua, a menor chance de estarem na rede e não na sala de aula, é online que iremos encontrá-los.

e não é sem motivo: a sala de aula ficou tão pra trás da realidade [virtual] em que vivemos que dá a impressão que só ficaremos lá se não houver nenhuma alternativa à disposição. pra completar, um grande número de iniciativas que deveria ajudar a reverter tal situação acaba levando pra rede uma filosofia, processos e métodos educacionais completamente desconectados do novo mundo, online, onde os alunos vivem. resultado? fracasso total.

a pergunta da hora é: será que dá pra fazer alguma coisa, online, na escola ou na rede escolar, que atraia alunos e professores para uma experiência lúdica, educacional, sem a chatice que os alunos [principalmente] vêem nos métodos, digamos, clássicos de educação? dá sim. quer ver um exemplo?

o sistema de educação pública de pernambuco está promovendo uma iniciativa pioneira: uma olimpíada de jogos educacionais, uma competição virtual entre times de estudantes que, apoiados por professores, irão desenvolver um trabalho colaborativo, criando estratégias de jogo e se articulando em atividades de resolução de problemas… participando de uma aventura virtual que levará as melhores equipes a uma competição final concorrendo a prêmios especiais vinculados à cultura digital.image

a olimpíada de jogos educacionais [OJE] é uma maratona de jogos online entre equipes [de seis a dez alunos] de escolas estaduais do ensino fundamental [oitava e nona séries] e médio, onde a diversão “esconde” o aprendizado e, além da motivação educacional, há prêmios para os vencedores. pense: jogue, se divirta, aprenda, apareça, forme rede com seus colegas e ainda ganhe um laptop. não tô nem tão velho assim, mas às vezes fico pensando porque é mesmo que não estou nascendo agora…

um dos jogos da OJE [serão doze, este ano] é imuno [veja a tela de entrada na imagem abaixo], onde você comanda uma nave que tenta salvar oswaldyr pontes, cuja vida não é lá muito saudável: nosso anti-herói é fumante, come muita gordura, não pratica exercícios, sofre de bronquite crônica e tem alto risco de ataque cardíaco…

image

imuno explora biologia, anatomia, imunologia, educação alimentar e comportamento. e é divertido. jogar em time é ainda mais divertido: todos constroem, juntos, a estratégia, os mais habilidosos jogam de fato [e ensinam os outros a jogar], o professor tira as dúvidas e ajuda o time. pena que não dá –ainda- pra você jogar; no momento, apenas os alunos pernambucanos inscritos na OJE vão ter acesso aos jogos da competição.

um outro jogo online da OJE é machina [tela do jogo na imagem abaixo], que explora, ao mesmo tempo, princípios de história, geografia e física clássica. pegue uma nave e vá atrás de objetos históricos numa escavação em algum lugar do planeta. e gaste pouco combustível e tempo, pois sua eficácia e eficiência são o que vão levar seu time para o topo da tabela da competição. não é você contra o jogo [veja o regulamento aqui]: é você e seu time, no jogo, contra todos os outros muitos times. isso pega, pode crer.

image

ainda estamos a cinco dias do fim das inscrições e mais de 2.200 times, de 337 escolas em 120 das 186 cidades de pernambuco já estão inscritos, atingindo quase 15.000 alunos da rede estadual. e esta é só a primeira rodada; a depender dos resultados e do marketing real e viral desta edição, podemos ter dez vezes mais alunos na OJE de 2010 em pernambuco, 150.000 de um total de 800.000 alunos.

a OJE é uma iniciativa da secretaria de educação do estado, que não está tendo medo de arriscar, cair na rede e tentar atrair a atenção dos alunos para processos de aprendizado que, queiramos ou não, serão cada vez mais digitais e em rede. a secretaria articulou o desenvolvimento e execução da OJE com o porto digital, arranjo produtivo local de TICs de pernambuco, situado no bairro do recife antigo, envolvendo uma rede empresas de jogos digitais, acrescida do cesar.edu [especialista em conteúdo e processos educacionais], fazendo com que os conceitos e capacidades locais em educação para o futuro e games contribuam para a melhoria do sistema educacional do estado.

mas não só: a iniciativa está sendo essencial para o aumento das competências técnicas e negociais locais em soluções, processos e jogos educacionais, e pelo menos um outro estado da federação e um grupo de escolas privadas já está interessado em ter uma OJE para seus alunos e professores. tomara. os alunos, tenho certeza, vão agradecer.

Fonte:www.smeira.blog.terra.com.br



Escrito por jbsouto às 16h14
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UM PAÍS SE FAZ COM HOMENS E LIVROS. (Monteiro Lobato)



Escrito por jbsouto às 18h18
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O LIVRO NO ORÇAMENTO DOMÉSTICO(LOF)

Numa iniciativa da Associação Nacional de Livrarias (ANL), da Câmara Brasileira do Livro (CBL); da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL); do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), do Instituto Pró-Livro (IPL); da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL); da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL); e da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), a pesquisa O Livro no Orçamento Familiar (LOF), que tem a coordenação do pesquisador Kaizô Iwakami Beltrão, vem atender uma antiga necessidade do segmento livreiro e editorial: Conhecer, de fato, o seu consumidor. A partir dos dados já coletados sobre a despesa familiar, os dados efetivos dos gastos com material de leitura (livros e de outros como jornais, revistas, fotocópias etc.), permitem traçar o perfil do mercado consumidor, por nível de renda, escolaridade, local de compra e outras variáveis importantes.

 

Os dados disponíveis sobre o mercado editorial limitam-se em geral à produção (número de livros publicados, tiragens) e às vendas, sobretudo aquelas feitas aos governos. O máximo que se consegue são informações dadas pelos editores sobre números de livros vendidos, independentemente do destino final. Porém, pouco se sabe sobre quem são os compradores individuais de livros, jornais e revistas. Não existe informação em nível nacional sobre os consumidores de material de leitura. Quais as características do indivíduo e da família?

 

“Acredita-se que tipicamente o aumento da renda e da escolaridade deva vir junto com um aumento do hábito de leitura. Este aumento acontece para todas os indivíduos e famílias ou existem grupos de alta renda/escolaridade que não lêem? A existência de estudantes ou de pessoas com maior nível de instrução na família fomenta este hábito? A importância de se mapear as características dos indivíduos que consomem material de leitura está ligada a uma possível estratégia de marketing. É importante saber como este material de leitura é adquirido, onde e por quem. Possivelmente, outras características também têm importância, por exemplo, a forma de comercialização e de atingir o público-alvo devem diferir, quando se trata de livros escolares ou de fundo religioso”, esclarece Kaizô Iwakami Beltrão.

 

Base da pesquisa: Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)

 

A pesquisa será finalizada no primeiro trimestre de 2009

Fonte:www.prolivro.org.br



Escrito por jbsouto às 18h15
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TABOENSES

Padre Inácio, além de sacerdote foi prefeito de Monsenhor Tabosa, consta  que o mesmo a exemplo do Bispo Lugo[ Presidente do Paraguai] era um verdadeiro garanhão. Segundo as más línguas a mãe de uma criança que dizia ser filho do Padre foi batiza-la em Canindé. Na pia batismal quando indagada sobre o nome do pai:A mesma respondeu -- Inácio Américo Bezerra, ao que o Padre perguntou,-- Padre Inácio tirou a batina?,--Não, levantou apenas acima da cintura.



Escrito por jbsouto às 14h58
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CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS

Hipocrisia

Jornalistas hipócritas, que são muitos, proferem ´ohs!!´ escandalizados ao saber da procriação de novos cidadãos paraguaios pelo bispo católico que hoje é presidente da República. A cada dia, folhas, a serviço das piores causas, reclamam que abandone o poder alegando infrigência do juramento da castidade e não o fato de não ser direitista militante. É um festival de falso puritanismo de que participa até a Igreja Católica, esquecida da intensa vida sexual dos papas do passado e da ponderável contribuição do clero para povoamento da América Latina.

Não só aqui

Amigo, estudioso de nossa História, de vez em quando descobre família, fundada por sacerdote, no pleno exercício de sua missão. Eles produziram dinastias importantes. O professor não quis se aprofundar no assunto porque teria de produzir milhares de páginas sobre padres prociadores, nos outros Estados da Federação.

O natural

Por mim não me interessa a vida sexual do presidente porque normal, obediente às leis da natureza. Muito pior que este bispo paraguaio agem milhares de sacerdotes católicos, mundo afora, corrompendo crianças que lhes são confiadas para que lhes dêem catequese e orientação espiritual. O bispo apenas atendeu a Deus quando empregou o crescei e multiplicai-vos. E não usou camisinha porque o papa a proibiu, não só aqui, mas também na África, chagada pela popularidade da Aids

Herdeiro

Lembro dom José Tupinambá da Frota, bispo de Sobral, recebendo os novos ´recrutas´ do Seminário e querendo saber de onde vinham, quais as famílias que integravam. Diante de um indagou: Quem é seu pai?´ O rapazinho, sem se perturbar, respondeu no ato: ´Sou herdeiro do padre João Alves´. O bispo apressou o passo para entrevistar o próximo seminarista.

Amor rural

Empresário de sucesso na Capital, aquele meu amigo mantinha fazenda nas proximidades de Groaíras que freqüentava. Terminou se enrabichando pela filha de um morador, seu empregado portanto, formosa cabrocha que se tornou seu amor rural. A coisa ganhou seriedade preocupando sua mulher que descobriu como pular a fogueira. Foi num almoço de família, todo mundo reunido, inclusive empregados, que ela pediu a palavra para formular advertência contra a moça: ´Ela é bonitinha e apaixona os rapazes da fazenda. Acontece que está transmitindo doença venérea para todos eles´. Depois de uma pausa, indagou do marido:

O que devemos fazer? Ele, colhido de surpresa, não soube o que dizer. Nem podia argumentar que a moça era sadia porque nunca lhe passara nenhuma enfermidade. Não dava. Terminou por dizer, sem muita convicção:

Então temos de resolver este problema´. E o morador, com mulher e formosa filha foram despedidos.
Fonte:www.diariodonordeste.com.br/Lustosa da Costa



Escrito por jbsouto às 14h45
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A PALAVRA-CHAVE CHAMA-SE "TRANSPARÊNCIA"

PEDRO DORIA, no Vale do Silício

Eric Schmidt, que completa 54 anos em abril, é o presidente do Google. Lá, só os fundadores Larry Page e Sergey Brin são mais importantes. Em meio ao turbilhão econômico que afeta os EUA, Schmidt falou ao Vale do Silício na semana passada. Ele prevê que o mundo mudará por completo a partir desta recessão – e as mudanças começarão pelo setor financeiro.

A palavra chave é transparência.

Na visão de Schmidt, foi falta dela que levou à crise. Eis seu raciocínio: os bancos quebraram porque suas folhas de balanço não fecham. Os balanços não fecham porque eles têm muito menos posses em seus cofres do que o valor que devem no mercado. Como ninguém percebeu antes que a conta perigava não fechar? Porque as ‘posses’ são, em geral, papéis complicados que misturam várias formas diferentes de investimento misturadas a parcelas de hipotecas em lugares diversos negociadas em mercados tortuosamente complicados. O que deveria ser uma conta de somar e subtrair muito longa que não passaria da aritmética não é tão simples assim.

Ninguém viu a desvalorização vindo pelo calote repentino de milhões de credores.

Em parte, nova regulamentação no setor financeiro vai proibir que papéis muito complicados que misturem elementos demais sejam negociados. Mas estes dados dos bancos estão lentamente indo para a internet, e esta será a real revolução. Quando as negociações feitas no mercado público estiverem online em formatos abertos, programinhas gratuitos dos mais simples vão pipocar. A complicada conta de somar e subtrair de um balanço de banco ou de qualquer empresa de capital aberto, online, poderá ser checada por qualquer um com mínimo treino de contador.

Basta os governos começarem a obrigar as empresas de capital aberto a publicar estes números que, afinal, são públicos.

Mas maior transparência não afetará apenas empresas, mas também congressos, o poder legislativo. As pequenas trapaças do dia a dia são produzidas por deputados e senadores que sorrateiramente incluem parágrafos em projetos de Lei ainda em trâmite. Não é raro, ao ler uma legislação ambiental que acabou de ser aprovada, encontrar uma determinação qualquer sobre, por exemplo, aumento para os funcionários públicos de uma birosca no interior de Mato Grosso. Não tem nada a ver com a lei, o parágrafo foi contrabandeado.

No momento em que o trâmite de leis estiver digitalizado, investigar fica muito mais fácil para qualquer um. O deputado que tem por hábito fazer estes pequenos contrabandos será identificado: foi ele quem incluiu o que não devia enquanto seus colegas estavam distraídos.

“Crowdsourcing” é a palavra em inglês. O trabalho é feito pelo grande público, de grão em grão. Schmidt prevê que quanto mais dados vierem online, mais este trabalho será permitido. E a transparência forçada possibilitará o surgimento de empresas e governos mais eficientes.

“Inovação”, diz, “vem justamente em tempos em que a economia vai mal.” É quando a vida está ruim e as pessoas não estão mais confortáveis com a cultura, tecnologia, a maneira de ver o mundo – tudo muda. Não é à toa que os EUA elegeram um presidente cujo slogan era ‘mudança’.

Por trás deste mundo pós-2009 está outro conceito técnico: o da nuvem. O conceito de computador pessoal está morrendo, substituído pela ideia de que os dados devem ir para a rede. Os programas estarão na rede. Tudo estará na rede porque, com banda larga mais comum e o baixo custo dos discos rígidos, é mais barato e eficiente ter os dados acessíveis pela internet do que em apenas um computador.

Há quem sugira que Eric Schmidt seja otimista demais. Talvez estes tenham razão. Mas o fato é que o mundo já mudou profundamente nos últimos anos. A distribuição de informação virou de cabeça para baixo. Empresas cujo modelo de negócio dependiam disso já têm problemas. A aposta de Schmidt, portanto, talvez não seja tão ousada.

 



Escrito por jbsouto às 13h52
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FONTES DE INFORMAÇÃO: VOCÊ ACREDITA NUM BLOG?...

 

a tns saiu perguntando, pelo mundo afora [e excluiu o brasil, parte de RoW, rest of the world], em quem você confia quando o assunto é informação. e-marketer reporta a boa notícia: fontes online, amigos, jornais e TV estão na mesma classe de equivalência, com cerca de 40% dos pesquisados achando que os quatro são fontes igualmente confiáveis. 

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o “fontes online” exclui os blogs pessoais, como se vê na tabela acima, que tem os dados dos EUA e canadá. menos de 1/4 de quem da fé ao noticiário online dá crédito, no mesmo grau, aos blogs pessoais. talvez não seja nenhuma surpresa, já que qualquer um, do nada e a custo zero, pode criar um blog, e danar-se a dizer tanta besteira quanto for seu tempo “livre”. o que implica em um certo custo de transação para que se estabeleça em quem, e porque, vale a pena confiar no universo dos blogs.

tempos atrás, este blog visitou este assunto em um texto [quem matou a blogsfera], e o resultado [nos comentários] foi um monte de blogueiros apopléticos, reclamando que não estavam mortos, que seu tráfego era isso-e-aquilo e coisa e tal. não estávamos sós, o blog ecoava nick carr, uma das fontes mais confiáveis e inteligentes da web:

mas… a blogosfera morreu e o artigo de nick carr começa… [Blogging seems to have entered its midlife crisis, with much existential gnashing-of-teeth about the state and fate of a literary form that once seemed new and fresh and now seems familiar and tired...] dizendo que os blogs, outrora inovadoras plataformas de expressão, estão enfrentando uma crise de meia-idade… e acaba dizendo que [Who killed the blogosphere? No one did. Its death was natural, and foretold] a blogosfera morreu de morte morrida; seu fim [como forma inovadora, revolucionária, massiva, de mídia] foi natural e previsível. e eu concordo.

a "mídia" [como o terraMagazine] entendeu o recado, descobriu que é bom [e dá audiência] ter textos soltos, leves, irresponsáveis até, em letras minúsculas, na hora em que querem entrar e sobre o que querem falar, sem editor, com a participação dos leitores, reclamando das minúsculas inclusive, dando opinião sobre tudo e todos, fora do contexto muitas vezes. a "mídia" demorou mas absorveu parte da anarquia da periferia e, ao trazê-la pra dentro de casa e reprocessá-la, continou sendo, em boa medida, o mesmo centro que sempre foi. esta é a "morte" da blogosfera a que carr se refere. quer ver ou fazer algo de novo? vá ver meu twitter [e crie um pra você, talvez].

no fundo, como os dados da TNS mostram, nick carr está coberto de razão. blogs pessoais se tornam referência só e somente quando conseguem se estabelecer como fontes críticas – no sentido de crítica e auto-crítica- do universo informacional de que tratam. os blogs “familiares” ou de “amigos”, feitos para uns poucos interessados, ou os “sectários”, que são de interesse de pequenos “imbecis-coletivos”, grupos de pessoas com inteligência, cultura e atividade acima da média, que se reúnem e cooperam para se imbecilizarem mutuamente… não chegam, nunca, muito longe. fora de seu círculo, nunca terão credibilidade. simples assim. ficarão fechados nos seus pequenos universos de crença e interesse e sobreviver, neste caso, já será um ótimo resultado.

há exceções? sim: a TNS descobriu que, na china e na coréia do sul, os blogs pessoais têm duas vezes e meia mais relevância do que na média no resto do mundo.

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como a pesquisa não é qualitativa, não se sabe ao certo porque estes dois países dão tanta reputação aos blogs pessoais. mas se pode imaginar que o caso da china deve ter alguma correlação com o fato do país ter uma das imprensas mais estatais e controladas [para dizer o mínimo] do planeta. qualquer arzinho, no ar, por lá, é um furacão e terá tanta audiência quanto. vai ver que a mesma coisa deve ser verdade em cuba, irã, arábia saudita e quetais. mas estes países também são RoW e a TNS não passou por lá.

quanto à coréia do sul, o resultado pode ter a ver com OhMyNews, site de jornalismo cidadão criado em 2000 por oh yeon-ho, pra combater a imprensa extremamente conservadora e controlada do país. OhMyNews tem dezenas de milhares de colaboradores, com auxílio de profissionais de primeira linha, e não tá pra brincadeira: a primeira entrevista do então presidente-eleito roh moo hyunin foi para OhMyNews e não pra “rede globo” de lá. na coréia do sul, OhMyNews tem status de blog coletivo… e isso faz com que o país, por causa dele e de um número de outros, tenha blogs em conta bem mais alta do que no resto do mundo civilizado.

e no brasil, o que você acha que acontece? para suas observações e críticas, estão abertos os espaços dos nossos comentários. vá lá e crie sua tese, ou deixe –e demonstre- suas evidências.

Fonte:www.smeira.blog.terra.com.br



Escrito por jbsouto às 13h09
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CORONELISMO GLOBALIZADO

Antonio Carlos Magalhães, o todo-poderoso oligarca baiano cujo reinado durou mais de 40 anos, até sua morte, em 2007, tinha um estilo duro, implacável: ofendia publicamente, gostava que seus inimigos soubessem que vinham dele as desgraças que os assolavam e mantinha quase o mesmo comportamento na política regional e na nacional - nos dois casos, ele era impulsionado por disputas claras de poder, onde não poupava nenhum esforço para vencer, e não escondia isso, não economizava em golpes contra desafetos e colecionava inimigos. O senador José Sarney (PMDB), ex-presidente da República, é um político nacional afável: não briga publicamente e tem mais amigos que inimigos. O que une ACM e Sarney, contudo, são os amigos certos na política nacional e o controle rígido sobre os seus quintais. Um era, outro é, a forma acabada do chefe de uma oligarquia regional. Sarney tem verniz; ACM, não tinha.
Sarney, com seu estilo, poupou-se mais do que ACM, mas não fez uma política no seu Estado que divergisse fundamentalmente da mantida pelo ex-senador baiano. Como ACM, o líder maranhense conseguiu consolidar o seu poder político regional graças ao apoio dos governos militares que tomaram o poder em 1964. Uma diferença fundamental, contudo, que pode ter servido para relativizar o seu papel como chefe de oligarquia, foi o fato de que venceu uma disputa para o governo do Estado em 1965 com o apoio de uma frente ampla de oposição contra o oligarca de então, Vitorino Freire, que incluía tamb_=A9m as forças de esquerda do Estado. Sarney é um chefe político que é produto de uma enorme contradição: venceu quando o grupo anterior rachou, por força do golpe de 64, e porque teve o apoio fundamental do marechal Castelo Branco, primeiro presidente do período militar; ao mesmo tempo, era um dos líderes da oposição local e se apresentava como a força modernizadora, contra o atraso que seria representado pelo grupo de Vitorino. A partir daí, consolidou-se como líder e formou a sua própria oligarquia, enquanto as forças maranhenses que se opunham à ditadura sumiam de cena.

No discurso de sua posse, em 1965, Sarney invoca para si o poder de recomeçar o Estado, tirá-lo das cinzas: “Estamos sepultando um passado empobrecido pela ausência, pelas carências de todas as ordens. Um passado em que as instituições foram empobrecidas e deformadas, quando não corrompidas ou viciadas.

Um passado que nos enche de vergonha, de pobreza e de mistificação; um passado que, por tudo isso, deve ser sepultado para sempre”. A citação consta do artigo “Do ‘Maranhão Novo’ ao ‘Novo Tempo’: a Trajetória da Oligarquia Sarney no Maranhão”, de Wagner Cabral da Costa, professor de História da Universidade.

O documentário de Gláuber Rocha, “Maranhão 66″, feito durante a sua posse, é profético quando congela esse passado na sua câmera, enquanto vagueia pelo discurso de posse do governador moderno. Sarney fala para uma multidão que se espreme em frente ao Palácio dos Leões; Gláuber, simultaneamente, passeia com sua câmera pela miséria do Estado, pelos miseráveis urbanos e rurais, pelos buracos de rua, pelas casas de adobe. Em 1966, Sarney assumiu prometendo ao Maranhão “liberdade, progresso, grandeza e felicidade”.

Um reinado de 43 anos depois, já no Século XXI, o Maranhão modernizado pela oligarquia Sarney não é o Estado com maior taxa de mortalidade infantil, com as suas 39,2 mil crianças mortas por mil nascidas, porque existe o Alagoas; e só não é o Estado com menor expectativa de vida, de 67,6 anos, porque existe o Piauí.

A ideia da “modernidade” foi sendo associada a sucessivos governos maranhenses ligados à oligarquia Sarney, e foi retomada com algum vigor no governo de sua filha, Roseana (eleita em 1994). Sarney batizou a chapa vencedora em 1965 de “Maranhão Novo”; a coligação que elegeu Roseana chamava-se “Novo Tempo”. Costa, em seu artigo sobre a oligarquia, analisa que a família, de certa forma, conseguiu criar um “mito” de lideranças modernas, capazes de mudar o perfil de um dos países mais pobres da Federação. Mantendo-se como mediadores desse progresso - em especial quando o patriarca estava na Presidência da República, entre 1986 e 1990 -, levaram o capitalismo monopolista ao Maranhão, diz o autor, mas num modelo altamente concentrador - uma grande parte dos domicílios urbanos (43%) tem renda per capita de até meio salário mínimo num Estado onde o maior indicador de “progresso” foi a intensa urbanização ocorrida no período.

A urbanização, numa situação de pequeníssima distribuição de renda, colocou a oligarquia no terreno da disputa política de fato, já que se consolidava um polo de oposição em torno de Jackson Lago (PDT) que era capaz de reverter a hegemonia sarneyzista pelo voto, segundo o autor. O voto urbano é mais refratário a políticas de clientela e à influência de políticos locais.

O auge da consolidação de um polo de oposição à liderança do clã foi a eleição de Jackson Lago ao governo, em 2006. A família Sarney conseguiu apeá-lo do poder dois anos depois que assumiu o mandato, por decisão da Justiça Eleitoral, que não julgou, todavia, os processos contra Roseana, que disputou com Lago as últimas eleições, chegou em segundo lugar e é agora a governadora, apesar de ter perdido a disputa. A mesma estratégia foi usada pelo senador José Sarney - que se candidatou pelo Amapá depois que deixou a Presidência e fez do Estado a extensão de seu quintal político, um “puxadinho” do Maranhão - quando seu candidato ao Senado foi derrotado pelo governador que deixava o cargo, João Capiberibe, em 2002. Sarney tomou o mandato do adversário na Justiça.

O irônico é que a lei que determina a cassação do mandato, em caso de abuso do poder econômico, foi a única de iniciativa popular até hoje aprovada desde que isso foi permitido pela Constituinte de 1988. Ela se tornou um instrumento por excelência nas mãos da família Sarney, que domina dois Estados.

Fonte:www.valoronline.com.br/Maria Inês Nassif



Escrito por jbsouto às 18h54
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77 ANOS DEPOIS, TOYOTA!

“Lidere, siga ou saia do caminho.” Thomas Paine

Fechados e contabilizados os números, o que se revelara nos trimestres anteriores do ano acabou se confirmando: depois de 77 anos, a GM entregou a liderança mundial do mercado de automóveis para a Toyota. Em função da inimaginável crise que hoje assola o mundo, impactando fortemente e também a nova líder, o registro é meramente protocolar; mas, que registro!

A GM, de Alfred Sloan Jr., foi o grande laboratório onde nasceu o marketing moderno. Primoroso e didaticamente ensinado ao mundo através da pena, sensibilidade e inteligência do maior dos mestres, Peter Drucker.. “The Practice of Management”, 1954, a bíblia da administração moderna, foi escrito integralmente sob a luz da revolução de Sloan Jr. na GM. A primeira empresa do mundo a se destruir e reconstruir sob a ótica do mercado.

Ao se fecharem os números referentes ao agora histórico ano de 2008 da indústria automobilística mundial, a GM, até então líder, contabilizava, 8,35 milhões de unidades comercializadas; e a Toyota, novo líder com total merecimento, 8,97 milhões. Enquanto a GM caiu 11% em suas vendas face ao ano de 2007, a Toyota conseguiu conter a queda que se reduziu a 4%. Já no final de 2007 a diferença era de apenas 3 mil carros em favor da GM; não havia mais nada a fazer.

As empresas, diferentes dos seres humanos, não nascem condenadas a morrer. Seus gestores, por infinitas razões e circunstâncias, é que acabam inserindo o vírus da morte em suas trajetórias. Muito especialmente nas que chegam ao topo do mercado e acabam recusando-se a mudar. Aprisionam-se, amarram-se, escravizam-se a um mesmo modelo, que inexoravelmente as conduzirá ao precipício, e, depois, à morte. A revolucionária GM dos anos 30 agoniza.

E por mais paradoxal que pareça, o novo líder, Toyota, sabe que a estrada que percorreu para chegar ao topo não existe mais. O novo e maravilhoso mundo plano, a wikinomics, os clientes que se recusam a permanecer na plateia e tomam conta do palco, sinalizam que para permanecer no comando a Toyota terá que ter a mesma coragem que a GM de Sloan Jr. teve nos anos 30. Se implodir e se reconstruir, simultaneamente, com um novo modelo que corresponda às novas realidades do mais que novo mercado.

Entrevistado pela imprensa mundial sobre a emoção de fincar a bandeira no topo do mundo, o vp da Toyota nos EUA, Irv Miller, apenas pontuou: “Participação nem sempre paga as contas... em verdade, números não significam nada se não existe o lucro...”..

No dia de assoprar as velinhas do 1º ano na liderança mundial do mercado de automóveis, a Toyota, constrangida, apagou outra primeira velinha: seu primeiro ano de prejuízo operacional em 70 anos.

Enquanto isso, chinesas, coreanas e indianas de olho no topo da montanha. Onde não necessariamente, e nem sempre, existem potes de ouro...

www.propmark.com.br



Escrito por jbsouto às 18h19
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O VOO DE PATATIVA DO ASSARÉ

O grande poeta popular do Nordeste, cujo centenário se celebra este ano, vira tese de doutorado

Pesquisa FAPESP -  
© Jarbas Oliveira/Folha imagem

A vida prometia ser injusta para o pequeno lavrador Antônio Gonçalves da Silva, morador da pequena Assaré, no Cea­rá. Do mesmo modo que para milhares ou milhões de moradores do sertão árido do Nordeste. Ainda menino, uma doença lhe tirou a visão de um dos olhos. Aos 8, viu-se obrigado a pegar na enxada para ajudar no sustento da mãe e dos irmãos, após a morte prematura do seu pai. Somente aos 12, durante alguns meses, frequentou a escola local. Foi o suficiente, porém, para alfabetizá-lo. Antônio tinha um dom raro, daqueles que não se explicam à luz da razão: começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por fim, aos 20 anos, ganhou o pseudônimo de Patativa porque sua poesia era comparável à beleza do canto dessa ave.

Surgia Patativa do Assaré (1909-2002), poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. Seria o mais importante no século XX de uma nação e um quase país chamado Nordeste. Dono de uma memória prodigiosa, era capaz de recitar sem pestanejar longos e incontáveis poemas de sua autoria. Eram frases rimadas que traziam a sabedoria de quem aprendeu a viver nas adversidades e a superar as privações. Vê-lo falar era quase sempre aprender lições de sabedoria e filosofia popular. Não por acaso, recebeu diversas premiações, títulos e homenagens – foi cinco vezes nomeado doutor honoris causa. O Brasil ouviu falar de Patativa graças ao poema A triste partida, que ele mesmo musicou e Luiz Gonzaga gravou em 1964. A letra falava da saga de uma família que, depois de perder todas as crenças, troca a seca por São Paulo “para viver ou morrer”, mas com uma certeza: de um dia voltar.

A canção se tornou um marco da música popular brasileira pelas muitas ousadias de sua gravação. Como, por exemplo, conter 19 estrofes, cantadas no decorrer de oito minutos – quando as canções nunca passavam de três minutos e só eram gravadas num único canal, o que significava gravar todos os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, como se fosse ao vivo. Conta-se que Gonzaga a ouviu pela primeira vez de um cantador numa feira do Crato. Ficou impressionado com a letra – fora composta em 1958 e era cantada em vários estados da região. Mandou que buscassem o autor e teria feito a proposta de comprar letra e música para que assinasse como único autor. Patativa não concordou mas lhe deu a parceria.

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Escrito por jbsouto às 21h37
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Essa gravação inspirou Claudio Henrique Sales de Andrade a defender na USP o doutorado Aspectos e impasses da poesia de Patativa do Assaré, orientado por Valentim Aparecido Facioli. “Eu sempre ouvi essa música com grande comoção”, recorda Andrade. Em 1978 ele ganhou de presente de uma tia um exemplar do livro Cante lá que eu canto cá, da autoria de Patativa, que acabara de ser publicado pela Editora Vozes. Cinco anos depois, concursado do Banco do Brasil, aconteceu uma grande coincidência: sua vaga de funcionário público era na cidade de Assaré. “Conheci Patativa e nos tornamos grandes amigos.” Durante dois anos, o pesquisador frequentou sua casa quase diariamente e fundou um centro de cultura na cidade que adotou o nome do poeta.

Depois de se mudar para São Paulo na década de 1980 e ingressar no curso de Letras da USP, Andrade decidiu estudar a obra de Patativa como tema de mestrado. O pesquisador procurou estabelecer no doutorado as fontes da poética de Patativa do Assaré e acompanhar os desdobramentos que essas fontes receberam em sua produção. “Patativa é um poeta singular no panorama da poesia brasileira do século XX, ele mantém viva e atualizada uma poesia de raízes populares, nutrida no regime da oralidade, mas amplifica os limites temáticos e formais dessas tradições ao acrescentar um forte componente autoral e um refinado lirismo, além de uma atitude reflexiva pouco usual nesse contexto”, explica o autor. Seu trabalho avança no sentido de circunscrever essa produção. Para isso, fez um mapeamento formal de sua obra. Em seguida, estabeleceu pistas que permitam demonstrar a diferença de sua poesia para com a tradição que o formou. “Sempre me moveu o sentimento da diferença e meu desejo foi realizar uma descrição que revele e clarifique essa diferença.”

Andrade elaborou uma lista com todos os poemas publicados dispostos em ordem alfabética e registrou ainda o tipo de estrofe em que cada um foi composto e o livro onde foi publicado originalmente. Nesse processo detectou inúmeros erros em todas as edições das obras do poeta – alguns que vêm se perpetuando e outros inéditos que foram cometidos nas edições mais recentes. “Creio que essa parte do trabalho venha a ser útil a outros estudiosos, que poderão se valer do levantamento feito, interessados talvez em investigar algumas questões que coloco e que ainda ficaram em aberto. Ou que, talvez, seja de alguma serventia para uma futura edição crítica dessa obra.” Na etapa seguinte investigou as vertentes culta e popular em diversas análises de texto. Finalmente buscou compreender o que chamou de “a dialética entre modernização e tradicionalismo” em Patativa, com ênfase num núcleo de poemas que discutem e encenam as consequências do progresso sobre a vida do trabalhador rural.

O pesquisador acredita que, dessa forma, se revela toda a riqueza do ponto de vista do poeta. Crítico das formas de dominação paternalistas, afirma Andrade, Patativa do Assaré é, ao mesmo tempo, capaz de resgatar e divulgar a poesia e o humanismo inerentes aos modos de vida arcaico e tradicional e, ao fazê-lo, identifica com penetração toda a negatividade de um progresso que é ele próprio uma imposição e outra forma de dominação. “E nesse passo tudo é contraditório e complexo, e o poeta percorre soberba e belamente as trilhas dessas contradições. Há, pois, ao lado de um anseio por um progresso civilizador e libertador uma visão desmistificadora do progresso que, às vezes, apenas substitui e renova as formas de dominação.” Tudo isso, prossegue o pesquisador, contribui para o argumento de que sua obra descortina uma perspectiva diferenciada que, por um lado, vai além da narratividade rente do cordel e, por outro, resulta de uma perspectiva visceralmente popular.

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Escrito por jbsouto às 21h35
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Cordel - Em seu estudo, Andrade procura descrever características que singularizam Patativa no universo da literatura brasileira. O poeta, afirma ele, tem sido apressadamente considerado por alguns como um autor de cordel. “Mas ele não faz literatura de cordel no sentido rigoroso da expressão. Salvo dois ou três poemas em que incursionou por este tipo de poesia como variação, exercício ou tributo.” O autor explica que sua obra se divide em três vertentes: lírica, narrativa e reflexiva. “Sua poesia é, em certo sentido, bicultural, pois trabalha em dois registros linguísticos: escreve na língua cabocla, num português popular que é uma estilização da fala do matuto sertanejo, realizada com mais conhecimento da causa e de forma mais sistemática do que vemos na obra de Catulo da Paixão Cearense (1863-1946), por exemplo. E escreve também dentro da norma culta. Nessa parte da obra, admiro a riqueza do seu léxico e a complexidade de alguns torneios sintáticos.”

Patativa, portanto, foi um atualizador do esquema dualista da peleja poética dos desafios de cantadores, como escreve Andrade. De acordo com ele, o poeta internalizou esse dualismo e o correspondente espírito do desafio criando vários poemas em que dá voz a dois pontos de vista distintos e em oposição, e põe essas vozes a debater tirando efeitos muito interessantes desses desafios de um só autor. “Ao lado dessas produções nutridas no húmus popular tradicional, ele foi um excelente sonetista. Musicou também alguns de seus poemas, sendo Vaca Estrela, Boi Fubá e A triste partida os mais conhecidos. O autor estudou três sonetos porque seu objetivo era apreender a singularidade da produção de Patativa, compreender a natureza e delimitar os contornos de sua poética. Para isso, foi preciso contemplar todas as vertentes que sua obra comporta – a culta e a popular. Para o estudo da primeira, selecionou Minha serra, O pau-d’arco e Minha cinza. “São sonetos muito bem realizados. Trazem temas, imagens, recursos estilísticos que atestam o domínio e a familiaridade de Patativa com valores de uma poesia cultivada para além do cânon da poesia sertaneja.”

Patativa, explica o pesquisador, além de uma formação fundamentada nas poéticas da oralidade – o cordel e a cantoria dos repentes –, foi também um apreciador e um curioso da obra de poe­tas cultos: Camões, Castro Alves, Casimiro de Abreu, Olavo Bilac estavam entre suas leituras. “Numa de nossas últimas conversas, ele me fez perguntas sobre o poeta baiano Gregório de Matos (1636-1696). Lera alguma coisa dele e ficou muito interessado. Essa empatia é muito natural nesse caso, pois, além do espírito de sátira, comum aos dois poetas, Gregório usava a mesma estrofe de dez versos, com a métrica e o esquema de rimas que são adotados até hoje nos desafios de cantadores e que também encontramos na obra de Patativa. Quando Gregório glosava motes sempre o fazia nesse tipo de estrofe e que é o mesmo que Patativa emprega em seus motes e glosas. Vem da tradição, desde o tempo do Brasil Colônia e perdura no Nordeste até hoje. Aproxima e põe em contato um poeta de extração culta e outro de extração popular, separados por três séculos.”

Andrade aponta como erudito na obra de Patativa o gosto pelo soneto e sua métrica decassílaba. “Há também um apuramento do pendor lírico na proporção em que ocorre uma atenua­ção da epicidade, muito acentuada na poesia sertaneja mais tradicional; abertura para temas universais e mais abstratos (direitos humanos, os mistérios da condição humana: o tempo e a morte).” Pode-se dizer que existe ainda uma poesia mais reflexiva, não narrativa, em que o poeta toma distância e enuncia avaliações e juízos críticos sobre as questões sociais. “Isso coexiste com poemas narrativos que discutem as mesmas questões segundo uma estratégia de crítica mais tradicional.”

Ao comentar a escolha do tema de sua pesquisa, Claudio Henrique Sales de Andrade concorda que a obra de Patativa ainda espera por reconhecimento nos grandes centros do Sudeste brasileiro. Mas o interesse tem aumentado significativamente. Como professor universitário, ele tem visto crescer o interesse pela obra de Patativa entre estudantes de letras, assim como por outras manifestações literárias da esfera da cultura popular. Observa também um reconhecimento do valor de sua obra entre muitos estudiosos de grande cacife na universidade. “Então, eu diria que existem resistência e preconceito em relação à sua obra, mas também expressivo reconhecimento.”

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Escrito por jbsouto às 21h33
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Brasil? Fraude explica( Carlito Maia)



Escrito por jbsouto às 20h40
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ENTREVISTA CLÁUDIO ABRAMO

Autor(es): Izabelle Torres
Correio Braziliense - 27/04/2009
 

Para diretor da Transparência Brasil, parte dos políticos quer apenas se apropriar de mordomias

Um parlamento repleto de denúncias contra os representantes eleitos. Políticos que trocam suas funções de legislador e fiscal por benesses em cargos públicos. Escândalos que representam atos de corrupção, mas que, de tão comuns, podem até sair impunes. O atual cenário vivido pelo Congresso Nacional desperta visões diferentes e um sentimento de indignação comum a qualquer brasileiro que paga a conta da “farra” daqueles que deveriam representá-lo. Para analisar as causas distintas para a atual crise do parlamento e os efeitos dessas condutas praticadas há anos, o Correio conversou com Cláudio Abramo. Diretor-executivo da Transparência Brasil, organização não governamental dedicada ao combate à corrupção no país, Abramo analisa a complicada relação entre políticos eleitos e o interesse em cargos do Executivo, fala da inércia do Legislativo diante do seu papel constitucional e cita os dados de um estudo coordenado por ele que fez a contabilidade das denúncias. Segundo o levantamento, todos os dias são publicadas 3,7 denúncias por dia: quase mil por ano. “Um absurdo para um país que possui um dos mais caros parlamentos do mundo”, resume.



Escrito por jbsouto às 20h38
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